Fonte: Cine Click

Woody Allen Vicky Cristina Barcelona) está em Los Angeles para promover Para Roma, com amor e afirmou em entrevista coletiva que "nunca ficou satisfeito" com seus filmes e ainda ironizou o título de sua nova produção.
Allen começou falando de sua filmografia. "Quando você faz um filme é como um chef que trabalha em um prato. Depois de passar o dia na cozinha cortando, picando e adicionando molhos, você não quer mais comê-lo. Isto é o que sinto em relação a um filme", disse ele aos repórteres durante a coletiva.
"Eu trabalho em um filme por um ano. Eu escrevo, trabalho com os atores, eu monto, coloco a música e depois não tenho absolutamente desejo algum de vê-lo novamente", contou.
"Eu nunca fiquei satisfeito e eu nunca gostei de nenhum dos meus filmes. Eu fiz o primeiro em 1968, Um assaltante bem trapalhão, e eu nunca mais o assisti", disse.
Mas reconhece a importância de seus fãs. "Eu sou eternamente grato ao público por amar alguns deles, apesar do meu próprio desapontamento. Para mim, (o resultado) sempre está longe de ser a obra-prima que eu tinha certeza de realizar", declarou.
Allen considera Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de 1977, e Hannah e suas Irmãs, de 1986, seus maiores desastres. "Em Annie Hall, a relação entre mim e Diane Keaton não era tudo o que me interessava. Era uma pequena parte de um projeto maior. E no final, eu tive que reduzir o filme a esta relação", falou.
"(Hannah e suas irmãs) foi uma grande decepção porque eu tive que fazer concessões significativas em relação a minha intenção original para assegurar a sobrevivência do filme", explicou.
Sobre o título de Para Roma com Amor Allen disse: "Meu título original era Bob Decameron, mas ninguém sabia quem era o Decameron, mesmo na Itália", explica.
"Então eu mudei para Nero Fiddled, mas metade dos países do mundo dizia: 'não compreendemos o que isso quer dizer, nós não conhecemos esta expressão'. Então optei por um título genérico como Para Roma, com amor para que todo mundo entendesse", admitiu.
Woody Allen, que não aparecia em um de seus filmes desde 2006, retorna à tela no papel do pai de uma jovem americana que vai se casar com um italiano. "Quando eu escrevo um roteiro, se há um papel para mim, eu aceito. Mas à medida que eu fico mais velho, os papéis estão se tornando mais raros", disse.
"Quando eu era jovem podia ter o papel principal e fazer cenas românticas com mulheres. Era engraçado e eu gostava. Mas agora que estou mais velho, estou reduzido à papéis de porteiro ou de velho tio, o que não é realmente a minha praia", finalizou.
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